sábado, 10 de maio de 2014
quem é o autor?
Esta é uma lenda antiga, que surgiu na Europa há muitos anos, mas ninguém sabe quem escreveu ou inventou, como tantas outras historinhas aqui.
Conta sobre uma família de camponeses pobres, com sete filhos ainda crianças para criar. O filho caçula nasceu tão pequenininho e fraquinho, que foi sorte sobreviver. Ganhou por isso o apelido de Pequeno Polegar. Ele era pequeno, porém muito esperto, sempre aprendendo brincadeiras novas com seus irmãos.
Naquele tempo, houve na Europa uma grande fome, que se espalhava por todas as cidades em volta da casa de Polegar. Não havia alimentos para todos. As panelas estavam vazias...
panela vazia
O pai das crianças, sabendo que todas morreriam de fome se ficassem em casa, teve uma idéia:
- Vou levar todos para a floresta. Talvez encontrem coisas para se alimentar e sobreviver. Aqui é que não vai dar certo.
A mãe chorou muito, mas concordou com o pai em não contar nada para os filhos, para que não se desesperassem. Preparou um lanchinho para cada um (o último que tinham), e todos partiram cedo, pela manhã, como se fossem passear na floresta.
Depois de estarem todos bem cansados de andar, os pais foram se afastando, sem que as crianças percebessem.
O Pequeno Polegar foi o primeiro a reparar que os pais haviam sumido. Todos tentaram procurar, mas se descobriram perdidos e abandonados...
Pequeno Polegar triste
A noite já vinha chegando, e as crianças tinham medo dos lobos e morcegos que faziam ruídos assustadores em volta.
morcego vampiro
O irmão mais velho subiu na árvore mais alta para procurar um abrigo para a noite. Todos festejaram quando ele disse ter visto a torre de um castelo ao longe, para o lado de onde a lua vinha nascendo.
Foram caminhando rapidamente, pensando achar um grande castelo acolhedor, com um rei e uma rainha ricos e bondosos para dividir abrigo e alimento com todos eles.
torre
Não era bem isso quando se via de perto, mas todo o resto era apenas a floresta perigosa, e eles não queriam ser devorados. Então bateram à porta assim mesmo.
Uma estranha voz respondeu:
- Vocês estão loucos? Não sabem o que tem atrás desta porta?
- Quem está falando? - perguntou Polegar.
-Eu! Ora bolas!
maçaneta falante
- Não sabia que existiam maçanetas falantes! - disseram todos.
- Para sorte de vocês, está vindo aí a dona da casa, que é boa e carinhosa, mas se chegar o patrão ...
A dona da casa abriu a porta, torcendo o nariz da maçaneta, que nem reclamou. Recebeu aquelas crianças abandonadas e famintas com todo seu carinho, mesmo preocupada que o marido pudesse chegar a qualquer momento. Trouxe bastante comida, que ali não parecia faltar. Todos ficaram satisfeitos e encheram as barrigas.
mulher trazendo alimento
Como sempre, a maçaneta soltou berros horríveis quando o patrão torceu forte seu nariz para entrar. Ouvindo isso, a dona da casa correu para esconder as crianças embaixo da cama do casal.
Não adiantou nada, pois o ogro malvado que era seu marido sentiu o cheiro de gente estranha logo logo...
ogro malvado
- Vou comê-los no jantar! Ahaha!
A mulher pediu que ele esperasse um pouco mais, pois o jantar maravilhoso de hoje já estava pronto, e tinha todos os pratos especiais que ele adorava.
Então o ogro mandou que fossem se deitar na cama ao lado da cama de suas filhas. Sim, o ogro tinha sete filhas, que dormiam todas na mesma cama, com suas coroas na cabeça.
menina coroada
Logo que os meninos se retiraram, ele rosnou que iria degolar cada um deles à noite. E ficou sentado esperando que dormissem...
ogro esperando
Polegar, chegando com os irmãos ao quarto, viu as meninas dormindo no escuro com suas coroinhas e ficou pensando em uma idéia para escapar.
Polegar pensando
Quando todos dormiram, colocou sua idéia em prática: trocou os chapéus de seus irmãos, e o seu também, pelas coroas das meninas, e foi se deitar bem quietinho. Naquele quarto escuro, ele imaginou que o ogro iria reconhecer as filhas pelas coroas nas cabeças, e foi isso mesmo.
Quando o ogro chegou, foi direto para a cama dos meninos, mas pondo a mão nas cabecinhas, sentiu as coroas, e assim foi para a outra cama. Degolou todas as crianças que tinham chapéu na cabeça.
olhar mau do ogro
- Ufa! Quase degolei minhas próprias filhas!
Polegar avisaAssim que o ogro saiu, o Pequeno Polegar acordou seu irmãos para fugirem juntos dali. Desceram pela escada de mansinho, e chegaram na maçaneta falante.
maçaneta
- Tenho ordens de avisar ao patrão sempre que tentam entrar ou sair por mim, mas desta vez vou desobedecer aquele malvado. O único problema é que vocês não vão escapar quando ele calçar suas botas de sete léguas e for atrás de vocês. Seus pés ficam os mais rápidos do mundo!
ogro correndo com a bota
O Pequeno Polegar notou as enormes botas encantadas ao lado da porta, e resolveu calçar assim mesmo, com a maçaneta prendendo a gargalhada com o ridículo do seu tamanho junto ao da bota.
Fez bem: era uma bota encantada, e se ajustou perfeitamente ao seu tamanho assim que calçou em seus pequeninos pés.
bota de sete léguas
Com elas, ajudou seus irmãos a voltarem para casa, mas não quis ficar. Despediu-se deles, e disparou para o castelo real.
castelo do rei
Lá chegando, disse logo que era o correio mais rápido do reino, e gostaria de provar sua capacidade ao rei.
Nos primeiros dias, levava apenas mensagens sem importância, mas ele era mesmo tão veloz e tão correto, que acabou conquistando a confiança do rei em pessoa. Logo estava sendo o responsável pela entrega das mensagens mais importantes, até mesmo as de guerra.
Tudo chegava voando carta voandopelas mãos dele, com a ajuda da bota de sete léguas. Assim, o Pequeno Polegar foi ganhando e juntando muito dinheiro.
Um dia, ele achou que era hora de voltar em casa, e levar dinheiro bastante para sua família nunca mais sentir fome ou abandono. E isso ele também conseguiu.
Há muito, muito tempo, há milhões de anos atrás, não existia nada à face da terra… Nada de nada! Nem mesmo pessoas ou animais. Em contrapartida, o céu já era habitado: o Sol, a Lua, as estrelas… Já lá estavam todos. Naqueles tempos, eram ainda muito novos, caprichosos, malucos e, por vezes, mal-educados. Sobretudo o Sol! Passava o tempo a passear os seus raios novos e ofuscantes, todo orgulhoso por ser o mais luminoso, o mais cintilante! Aborrecia toda a gente com os seus raios, o seu calor e a sua luz.
— Pára de brilhar! Fazes-nos mal aos olhos! — diziam as nuvens.
— Apaguem-no! Não consigo fechar os olhos! — resmungava a Lua.
— Ah, estes jovens! Julgam que podem fazer tudo! — protestavam as estrelas mais velhas.
— Nunca estás quieto? — suspirava a Terra, extenuada.
— É sempre de dia! Nem podemos fechar os olhos! — diziam as pequenas estrelas, que, como todas as crianças, precisavam de dormir.
Todos os habitantes do Céu, cansadíssimos, irritados, tristonhos, começaram a pensar no que fazer ao menino Sol para ele brilhar menos: fechá-lo num armário escuro, pôr-lhe graxa preta…
— Isto não pode continuar! — trovejava a Trovoada. — Temos de encontrar uma solução.
E teve logo uma ideia, que contou à Lua e às estrelas.
A Trovoada teve então uma conversa com o menino Sol.
— Solzinho, tivemos uma ideia. Vais brilhar entre nós algumas horas e, depois, ala!… vais brilhar para o outro lado da Terra. Assim, fazes algumas horas connosco e algumas horas com o outro lado. Enquanto lá estiveres, eles divertem-se e nós dormimos. E enquanto estiveres entre nós, são eles a descansar. Assim, não precisas de parar e toda a gente ficará satisfeita!
O menino Sol saltou de alegria face à ideia de ter duas casas e, sobretudo, amigos em todo o lado.
A partir daí passou a haver noite na terra, para grande felicidade dos seus habitantes, que podem assim repousar. Foi nessa altura, aliás, que os homens apareceram, dizendo que, com um pouco de Sol durante o dia e um pouco de escuro à noite, a vida seria bem agradável na Terra.
Sabe-se que, à noite, o Sol nunca chega a desaparecer totalmente, mas que está simplesmente do outro lado da Terra, a viver a sua segunda vida, na sua segunda casa, à espera de voltar. É por isso que nunca se deve ter medo do escuro.
Numa  caixa bem florida
Morava a menina Nina,
Que  dançava nas pontas dos pés
E que era bailarina.
Saía, de vez em quando, quando a caixa era aberta,
Uma música tocava
E ela bailava  esperta.

 

Por entre colares e brincos,
A bailarina morava 
Tinha um espelho bem no meio
Em que ela sempre se olhava.
Jóias de ouro e de prata,
Esmeraldas e rubi
Guardadas e organizadas
Em  saquinhos de organdi.
 


A caixa era bem guardada
Onde não se podia ver,
Lá em cima do armário,
Para assim não se perder.
Nina passava seus dias
Inteirinhos a esperar
Que a caixa fosse aberta
Pra ela poder bailar.

Ficava no escuro
Ensaiando seus passinhos,
Mas  sentia-se  muito só.

Precisava de carinho.
Tinha segredos antigos
Que Nina sabia guardar.

 

 
Mas o tempo foi passando,
E ela queria ver
Como era o mundo lá  fora
Pra livre ela viver.
Decidida  ela estava
Que da caixa fugiria,
Queria bailar para o mundo
Voltar  a  ter  alegria.

 


Lembrava-se da primeira vez
Em que a caixinha fora aberta.
Foi no décimo aniversário
Da menina Felisberta,
Que ficou paralisada
Qual surpresa ela sentiu!
Não parou de dar risada 
E junto da caixa dormiu.





Nina lembrava-se em silêncio
Dos tempos de outrora.
Felisberta envelhecera,
Era agora uma senhora.

Nina  estava bem atenta,
Foi quando a caixa se abriu,
Numa noite friorenta
A bailarina fugiu.
Tratou  de tirar o ímã
Grudado na sapatilha
E acabou derrubando no chão
Uma linda gargantilha.

Correu  pelo mundo  afora
Saltitando, a bailar,
Procurando companhia
Pra que pudesse dançar.

A pequena bailarina 
Andou por toda cidade ,
Até o dia amanhecer
E ser tudo claridade.
Foi quando ela adormeceu,
perto do relojoeiro, um senhor bem engenhoso,
e que andava bem ligeiro.

Ele apanhou-a do chão,
levou-a para dento da loja, para perto de outra bailarina
que se chamava Carlota.
Juntas, elas conversaram
como foram suas vidas
de bailar dentro de caixas.


 
Foi quando Carlota  acabou
com a curiosidade de Nina,
Dizendo-lhe que naquele lugar
havia  outras  bailarinas.
O senhor relojoeiro
de longe as vislumbrava,
olhou-as  naquele momento,
viu que não eram sucatas.


Dançavam com classe e amor.
Resolveu juntar todas na mesa
e as quebradas, que ele consertou,
juntas, elas bailavam,
ensaiavam  noite e dia
felizes, elas  nem notaram
a presença da fada Maria.

Maria era velha conhecida
do senhor relojoeiro,
consertava com magia
os relógios  estrangeiros.
O  nobre  senhor a chamara
pra presenciar tal encanto,
Mas ela logo lhe dissera:
- Magia ainda virá. Esteja pronto!
 

Dormiram naquele  noite
ansiosas por outro dia:
Saíram com o relojoeiro
e a linda fada Maria.
Sem saber bem o lugar
que seriam levadas,
ficaram com muito medo
de voltarem para as suas caixas.

Mas o  dia amanheceu
E Nina, feliz da vida,
companheiras encontrou,
pra bailar e ser aplaudida.
Dentro de um lindo  teatro
E o relojoeiro arrumou
todas em cima do palco.

Uma música ao longe
começou logo a tocar
e elas recomeçaram a bailar.
Neste momento uma luz
as envolveu de repente
e as  bailarinas das caixinhas
começaram a virar gente.

 
Dançaram suavemente 
todas juntas um balé
e todas ali presentes
aplaudiram de pé.
Como num passe de mágica,
quem  estava passando ali  em frente daquele  lindo teatro
resolveu entrar de repente.

A porta daquele teatro 
estava agora aberta
e feliz foi a surpresa de Nina
ao ver na platéia, Felisberta.

Uma  lágrima  rolou
dos  olhos  daquela senhora,
lembrando-se  da bailarina
que um dia fora embora.
Lembrava-se  com muita saudade dos tempos de criança
de quando ganhara a caixa
da  bailarina que dança.

 

Saiu daquele teatro
para a loja do relojoeiro,
que tinha as mais belas caixinhas com bailarinas e espelhos.
Compraria de presente
Para dar a sua filha
para guardar com carinho
as lembranças de família.

 


Nina jamais se esqueceria
daquele dia feliz
em  que pode bailar de verdade como ela sempre quis.
Os aplausos ainda soam
como um balé de magia.
Viva o senhor relojoeiro!
e viva a fada Maria!