quarta-feira, 29 de janeiro de 2014


circo Bagunça Bem Feita se instalou na cidade.
Já era a vez de Mocotó, o palhaço, entrar no picadeiro, e ele não achava seu nariz de bola vermelha.
Pôs-se a procurar na caixa da Mulher Barbada e no baú do mágico, mas nada. O que ele fez então?
ocotó abriu o guarda-roupa do Engolidor de Fogo, mas só viu o seu material de trabalho: três pacotes de fósforos, dois maços de vela, quatro rolos de algodão, seis tochas de fogo e dois litros de álcool.
fa! Vou fechar logo aqui antes que eu fique queimado.
Ele deu uma olhada geral no camarim: roupas penduradas, perucas, bolas, armação de ferro,palmatória, cadeiras, espelho, tudo, menos seu nariz de bola vermelha.
- Só falta olhar na caixinha do Domador de pulgas...mas não sei se devo mexer com as pulgas... esses bichos...

De novo o grito do dono do circo:
- Ei, Mocotó, o pessoal não agüenta mais esperar!
Mocotó nem respondeu. Apavorado, quase chorando, aproximou-se da caixa das pulgas e espiou pelo buraquinho. As pulgas, danadas, brincalhonas, foram logo fazendo gozação com o palhaço:
- Palhaço boboca, nariz de pipoca!
- Palhaço boboca, nariz de pipoca!
                   ocotó até gostou da brincadeira e pensou: "Se elas disseram que eu tenho nariz de pipoca é porque eu tenho nariz, ora bolas!"
Ele deu meia volta no corpo e foi em direção ao espelho do camarim.
Surpresa!
- E não é que o meu nariz de bola vermelha está em cima do meu nariz de verdade?
Satisfeito, Mocotó não esperou o dono do circo chamá-lo outra vez. Botou um grande sorriso preto e branco embaixo do nariz de bola vermelha e entrou no picadeiro, gritando:
- Hoje tem espetáculo?
E a platéia alegre respondeu em coro:
                 - Tem, sim Senhor!                       
           
A lagartinha Tixa corria de um lado para o outro,
nervosa, suada e assustada.
Quando viu Clarinha no jardim, gritou:
- Claaaaaaaaaaaaaaa ! ! !
- O que foi, Tixa? - perguntou Clarinha.
- A rosa está morrendo de tristeza - falou Tixa.- Então vamos falar com ela - respondeu Clarinha.
Rosa, a flor, abraçou as duas e assim falou:
"Clarinha, por que ninguém liga pra mim?
O elafante Trombão é um desajeitadão! 
Só com um pisão me deixa amassada no chão.
A zebra Listrinha quer se enfeitar me colocando na sua gravatinha.
Meus espinhos são tantos, mas tantos, que as crianças têm medo de mim.
Vale a pena viver assim?"
Quando Clarinha ia responder, chegou um Beija-Flor muito elegante, bem diferente do elefante.
usava camisa de listrinha, mas não era a zebrinha.

Rodeou todas as flores de todas as cores.
Escolheu a Rosa, tão cor-de-rosa, a mais linda flor de todo o jardim.


O Beija-Flor beijou Rosa, a flor, que por ele ficou toda dengosa, morrendo de amor.



Os sapos, as rãs e as pererecas passavam dias e noites brincando e cantando no lago da Alegria Sem Fim.
Jurubeba era um sapo implicante, que não enxergava direito, mas não era mau.
Só que ela achava a lagoa bagunçada. por isso, sem perguntar nada a ninguém, resolveu arranjar um rei para pôr ordem nela.
Sapo Bolão, já bem velho e muito sábio, falou para Jurubeba:
- Não faça isso! Seus amigos da lagoa vão ficar com raiva de você. Quem quer um rei?
Mas Jurubeba não ouviu o sapo Bolão. Um dia, ele viu um enorme sapo boiando nas águas da lagoa e gritou:
- Achei! Achei o nosso rei!
Mas o enorme sapo não passava de um tronco velho, coberto decipós, com um buraco que parecia mesmo uma grande boca aberta.

Jurubeba pensou que fosse um sapo-boi.
Os sapos, as rãs e as pererecas levaram um susto ao ver aquele tronco feio com a coroa do rei dos sapos. Mas não tiveram coragem dedeixar Jurubeba triste e se calaram.
Uma manhã, a rãzinha Aretiza acordou de mau humor:
- Já cansei! Fora, seu tronco velho e feio!
Jurubeba acordou com os gritos de Aretiza. Pulou em cima do tronco e gritava:
- Faça alguma coisa, rei dos sapos! Você não é de nada?
Mas o rei não se mexia.
Finalmente, já cansado, Jurubeba voltou para a margem do lago e chorou.
Sapo bolão e Aretiza riam a bandeiras despregadas:
- Rei dos sapos??!! Só se for rei dos troncos velhos!